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Saúde
03/08/2018 - 12h25
Casos de esporotricose são notificados em Patrocínio
Para saber mais sobre a doença confira entrevista com a Veterinária Bianca Nunes

Por Stéfany Christina/ Gazeta na Web


No mês de Julho deste ano, a Secretaria Municipal de Saúde informou que surgiu na cidade alguns casos de esporotricose em gatos e um caso em ser humano. Após as notificações a Vigilância Sanitária (Epidemiológica, Sanitária e Ambiental) se reuniu com um médico Infectologista e com médicos veterinários da cidade para planejar ações que evitem uma possível epidemia.

Portanto, para entender um pouco mais sobre a doença, a redação da Gazeta na Web conversou com a Médica Veterinária e sócio-proprietária do Centro Veterinário e Pet Shop Purina, Bianca Nunes Ribeiro, que nos esclareceu alguns detalhes que podem ser conferidos na entrevista abaixo:



Bianca Nunes Ribeiro, Médica Veterinária e sócio-proprietária do Centro Veterinário e Pet Shop Purina.


Gazeta - O que é a esporotricose?

Bianca Nunes - A Esporotricose é uma micose subaguda a crônica causada, na maior parte dos casos, por implantação traumática do fungo Sporothrixschenckii na pele. O Microorganismo é tipicamente encontrado em solos enriquecidos com matéria orgânica, em vegetais em decomposição ou em outros materiais orgânicos, como musgo, feno, farpa de madeiras e espinhos.

A doença vem se tornando um problema de saúde pública no Estado do Rio de Janeiro, Brasil, em razão do aumento significativo de casos em seres humanos nos últimos anos. Inclusive em nossa clínica já diagnosticamos e tratamos 2 casos há menos de 6 meses.


Gazeta - Quais os principais sintomas?

Bianca Nunes - Cães apresentam múltiplos nódulos subcutâneos ou dérmicos firmes na cabeça ou no tronco. Esses nódulos podem ulcerar, drenar um exsudato purulento e originar crostas.

Em gatos, notam-se lesões cutâneas na cabeça (especialmente no nariz e na face), na parte distal de membros ou na base da cauda.

No humano, nódulos podem ter a cor vermelha, rosa ou roxa, ser purulento ou não e costuma aparecer no dedo, mão ou braço em que o fungo penetrou.


Gazeta - Como são as feridas provocadas pela doença?

Bianca Nunes - Nos animais, a doença se manifesta principalmente com a formação de feridas na pele, geralmente com pus, sem cicatrização, rápida evolução e não respondem à antibioticoterapia apropriada.


Gazeta - Quais animais podem pegar a doença?

Bianca Nunes - Cães, gatos, equídeos, raposas, bovinos, suínos, camelos, ratos, camundongos, chipanzés.


Gazeta - Como ela é transmitida?

Bianca Nunes - A infecção de gatos e seres humanos normalmente ocorre por contaminação da pele lesada. Acredita-se que os gatos são infectados através de arranhaduras com garras contaminadas de outros gatos; as infecções são mais comuns em machos com acesso à rua. Os seres humanos podem ser infectados ao entrar em contato com exsudato contaminado de gatos infectados.

Na literatura, a ocorrência da doença é predominantemente associada à ocupação profissional, afetando pessoas que lidam com a terra, particularmente em áreas rurais. Porém, neste início de século, a ocorrência tem sido relacionada também à arranhadura e/ou mordedura de gatos, levando a surtos familiares, além de casos em profissionais que lidam com esses animais, como veterinários e auxiliares.


Gazeta - O que fazer se identificar a doença no seu animal de estimação?

Bianca Nunes - Deve-se levar o animal para consultar com sua Médica Veterinária de confiança. Deverão ser feitos exames laboratoriais para diagnóstico da doença, podendo ser eles: citologia, biópsia e o mais comum que é a cultura de fungo da secreção das feridas.


Gazeta - Há vacinação ou tratamento?

Bianca Nunes - Não há vacinação nem para humano e nem para animal, somente tratamento. O tratamento consiste em isolamento do animal para evitar fugas e antifúngico oral por até 30 dias depois da cura total das lesões detectáveis.


Gazeta - E há alguma forma de prevenir? Tanto nos animais quanto nos humanos.

Bianca Nunes - Uso de roupas e luvas apropriadas para manuseio de jardins. E uma observação: um cuidado importante a se fazer é que, em caso de morte do animal com esporotricose, o corpo seja cremado e não enterrado, para que o fungo não se espalhe pelo solo e outros animais possam ser infectados.

A castração de felinos saudáveis evita que saiam de casa e venham a se infectar.

Bianca Nunes Ribeiro, Médica Veterinária e sócio-proprietária do Centro Veterinário e Pet Shop Purina.



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