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Colunas
27/07/2020 - 11h34
Após a pandemia, sairemos da crise financeiro e econômica?

Por Cássio Amaral*


Percebe-se que com o passar dos dias, vemos um cenário que muda a cada dia e a cada momento de crise sanitária que vivemos hoje no Brasil e em nossas cidades. Sem deixarmos de observar que os critérios de mercado econômico anterior à crise era um cenário e hoje de forma visível temos um cenário completamente diferente. Por isso, cada choque econômico deixa uma herança de recordações e feridas econômicas que afetam todos os setores e classes sociais e também de mudanças nas mesmas.

É impossível pensar que essa inimaginável experiência de máscaras, distanciamento social, perdas humanas e cancelamento da vida não trará consequências após o final da pandemia. É cedo para saber exatamente quais esses impactos e consequências. Quanto mais tempo durar a crise, maior será o dano econômico e social. Os analistas podem demorar anos e até décadas para explicar todas as implicações do que se vive nesses dias.

O contraditório, ou não, é que esse vírus explora as características da vida que nós mesmos nos demos e nos faz repensar vários aspectos de nossas vidas. Superpopulação, turismo maciço, cidades imensas, viagens aéreas constantes, redes de fornecimento a milhares de quilômetros e uma extrema desigualdade na divisão da riqueza e nos sistemas de saúde públicos.

A epidemia não traz uma mentalidade de tempos de guerra, mas uma mentalidade que une todo o planeta do mesmo lado contra ela. Um efeito a longo prazo dessa experiência pode ser que tenhamos instituições econômicas e políticas mais redistributivas: dos ricos aos pobres, e com maior preocupação pelos marginalizados sociais e idosos.

Evidentemente, a crise atual não é tão catastrófica como uma guerra mundial e a devastação que nossos avôs vivenciaram na Guerra Civil espanhola, na quebra da Bolsa de Nova York, mas seus efeitos econômicos serão enormes, pois fomos retirados da normalidade habitual em todos os sentidos de nossas vidas. Não tem precedentes em tempos de paz.

O acontecimento mais parecido com o qual podemos compará-la, o crash financeiro de 2008, que gerou uma mudança intensa na economia do planeta. Fomos de um crescimento relativamente alto e uma inflação moderada a outro anêmico e com deflação e empobrecimento em massa do mundo. Mas o mundo nunca mais voltou a ser igual ao que havia sido antes desse ano.

A verdade econômica se rege sob suas próprias leis da atração e condução. Mudanças sempre chegam. As grandes empresas terão que repensar onde e como produzem e ainda como manter o equilíbrio corporativo de seus funcionários e funções.

A pandemia passará e será preciso pensar por quais ruas e cidade caminharemos. Porque a Terra corre o risco de cair em uma espécie de depressão social causada por esse tempo de distanciamento, e alguns já vivenciam isso em suas casas, alguns por causa da crise pandêmica, outros por causa do desemprego, outros ainda por causa do isolamento social. Um colapso pessoal e social, que será muito duro com a população mais isolada e solitária, como os idosos.

É o resultado de um confinamento imposto, mas também voluntário nesses dias. É a tendência de estar mais tempo em casa, socializar menos fora e fazer de teu lar uma fortaleza, provavelmente descobriremos aos poucos alguns importantes pontos sobre essas ações. Existem muitos trabalhos que podem ser feitos em casa, economizando combustível em deslocamentos e tempo de espera em antessalas.

O problema, entretanto, é que precisamos estender esse privilégio a atividades muito importantes como a educação e o amor e outros elementos de essencialidade, que não podem deixar de ser presenciais: exigem o corpo a corpo. Sem dúvida, a imensa urgência do presente nos impede de avaliar qual horizonte o futuro deixará ou ainda seus rastros em todos os aspectos: sociais, econômicos, políticos, financeiros e outros.

Contudo a crise sanitária que assolou o mundo e o Brasil em um momento delicado de se analisar. Traz de um lado a economia que vinha respirando com sinais de enfraquecimento, e a doença se somou à incerteza política e econômica com relação ao futuro incerto do nosso país nos próximos meses e anos.

A pandemia trouxe à superfície a desigualdade social do país e abriu brechas para um longo debate sobre o papel do Estado na economia e na condução das políticas sociais no presente momento. Há apenas uma pequena janela de oportunidade. É nesse, que os profissionais de políticas públicas estão discernindo, rapidamente onde e como implantar capital para resgatar as economias em crise.

Temos inúmeros desafios no país e precisamos de um direcionamento dentro da gestão pública, que nos dê condições para sair da crise, ao menos, não piores do que entramos. Teremos uma longa e árdua tarefa, afinal, são milhões de brasileiros e brasileiras que hoje se encontram em isolamento social, que viram suas possibilidades de geração de renda serem minadas ou que perderam seus negócios, fontes da renda de várias famílias manutenção dos mesmos.

É necessário urgência, propósito e confiança para que tenhamos a habilidade de reaprender a viver socialmente, financeiramente e economicamente. Há de se fazer política pública de forma séria e técnica, e mais que isso. Trazer para a população uma redistribuição de renda, compatível com o nível econômico do nosso país, e não pautado em interesses políticos e individuais essas ações.

Estabelecer critérios que de forma escancarada estão previstos constitucionalmente, e que precisam dessa valoração para chegarmos ao menos próximo do reparo que deverá ser feito após o final da crise sanitária que vivemos. Trazer esperança e um novo respirar de vida social, econômica, política e mais que isso, de ser humano tutelado pelo Estado e o tendo como seu maior protetor e incentivador do crescimento econômico individual e coletivo.


*Cássio Amaral é Professor/ Coordenador Fomento de Emprego e Renda Município de Patrocínio, Diretor Unidade Sine/Patrocínio.



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