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Saúde
06/11/2018 - 15h09
Outubro Rosa - Ainda precisamos falar sobre Câncer de Mama
Conheça uma história para se inspirar e não desistir da luta

Por Stéfany Christina com informações de José Antônio e André Luiz Costa


Celebrado no mundo todo, o Outubro Rosa, teve seu início nos Estados Unidos, onde em 1990 em New York ocorreu a primeira Corrida pela Cura realizada pela Fundação Susan G. Komen for the Cure. Em 1997 entidades das cidades de Yuba e Lodi, também dos EUA, começaram a fazer ações de prevenção no mês de outubro, o escolhendo como o principal para as ações.

No Brasil, a primeira iniciativa ocorreu em 2002, onde o monumento Mausoléu do Soldado Constitucional (Obelisco do Ibirapuera), em São Paulo, recebeu iluminação na cor rosa. Após essa ação, diversos monumentos brasileiros receberam a cor em outubro. Em 2011 também começaram a ser feitas ações em torno do câncer do colo de útero durante o mês.

O movimento tem como objetivo de estimular a participação da população no controle do câncer de mama e do câncer de colo de útero, além de promover conscientização em torno das doenças e proporcionar maior acesso aos serviços de diagnóstico e tratamento, contribuindo para a redução de mortalidade.

Apesar da intensa divulgação e realização de campanhas de prevenção, ainda é necessário falar sobre a doença e as formas de evitá-la, como pontua a mastologista e ginecologista, Dra. Marcela Rosa Dias, em entrevista ao José Antônio e André Luiz Costa durante palestra sobre Outubro Rosa na Sicoob Coopacredi.

“Por incrível que pareça nem todas [as mulheres] já sabem [sobre a campanha], e as que sabem às vezes esquecem e não é raro vermos em consultórios, pacientes falarem ‘ah doutora, outubro rosa eu lembrei, estou vindo aqui para fazer meus exames’, então é sempre importante estarmos falando”, acrescenta Dra. Marcela.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de mama é a maior causa de morte em mulheres e ainda estima que entre os anos 2018 e 2019 sejam diagnosticados quase sessenta mil novos casos (59.700) no Brasil, algo em torno de 56,33 casos a cada 100 mil habitantes.

Segundo a Dra. Marcela Rosa Dias, não tem como evitar a pessoa ter um câncer, sendo que o procedimento mais adequado é tentar descobrir a alteração o mais cedo possível. “Sabemos que quanto menor a lesão, maior a chance de cura da paciente, então se descobrimos uma lesão com um centímetro essa paciente tem praticamente 100% de chances de sair curada desse tratamento”, afirma.

A mastologista ainda pontua que somente o auto-exame não ajuda na identificação da doença. Para ela, mulheres que estão na faixa etária de risco, de 50 a 69 anos, é necessário associar o auto-cuidado à mamografia de rastreamento para conseguir identificar com mais precisão.

Em relação ao tratamento, ela apazigua. “O tratamento em si, não é tão agressivo quanto a gente descobre no início, hoje a quantidade de mastectomias que têm sido feitas são muito menores, tanto porque descobrimos a lesão mais no inicio, quanto pelas técnicas cirúrgicas que vêm melhorando e são associadas às cirurgias plásticas”, concluiu Dra. Marcela.


Uma história de superação


Maria Jussara de Souza e Costa é colaboradora da Escola Municipal Casimiro de Abreu e do Colégio Berlaar e atualmente vem se recuperando de um câncer de mama que descobriu aos 48 anos de idade. De quatro em quatro meses ela deve fazer exames de acompanhamento, no entanto, ela pode falar com o sorriso no rosto que está curada.

Tudo começou ao encontrar um nódulo através de um auto-exame, ao ficar preocupada procurou fazer uma mamografia, porém o primeiro diagnóstico teve como resultado calcificações provavelmente benignas, tendo suspeitas de ser um ducto mamário infeccionado. No entanto, em entrevista ela relatou que o nódulo começou crescer o que a fez ir novamente ao médico, dessa vez se consultar com a Dra. Marcela.

Ao relatar sua história, a médica logo pediu uma biopsia que detectou um tumor na mama esquerda. Maria Jussara conta que foi um choque descobrir a doença, tanto para ela quanto para os seus familiares.

Além de ter que lidar com o câncer ela também teve que ter forças para acompanhar sua filha que possui deficiência e que descobriu quase ao mesmo tempo ter uma vértebra comprimido a medula, precisando urgentemente de uma cirurgia em Brasília. Com o apoio da médica Maria Jussara acompanhou a filha e ao voltar para Patrocínio começou seu tratamento.

“No dia 24 de Outubro eu iniciaria o tratamento no Hospital do Câncer daqui porque preferi fazer aqui em Patrocínio. De início, o Dr. Ramon que é o nosso oncologista explicou para mim tudo que iria acontecer, como seria o tratamento. Aí eu comecei uma série de exames e a minha família me acompanhando o tempo todo”, relata.

Segundo Maria Jussara, seu câncer havia chegado ao grau 3 e tumor chegou a ter seis centímetros, ela ainda contou que com o tempo foi surgindo mais nódulos, dessa vez abaixo da axila. No seu tratamento, ela teve que fazer oito sessões de quimioterapia, sendo 4 vermelhas e 4 brancas. Sua primeira sessão foi vermelha e ela relata que após dez dias seu cabelo começou a cair.

“Ele começou a cair numa terça, quando foi na quinta tive que raspar o cabelo. Doía o coro cabeludo, e preferi raspar do que ficar sofrendo aos poucos. E para a gente que é mulher, que é vaidosa, o cabelo mexe muito com a gente, eu tinha meu cabelo liso quase na cintura, bem comprido, então senti a perda do cabelo”, conta.

Sobre a quimioterapia ela relata que também foi um período difícil. “Na quimioterapia tem gente que não dá nada, nenhum sintoma, só que acho que tive todos e mais alguns, vômito, mal estar, fraqueza, coração acelerado o tempo todo, a boca toda ferida o que atrapalhava comer”, pontua.

Por conta do estado avançado da doença ela teve que fazer duas cirurgias para retirar os quadrantes da mama comprometidos. Suas cirurgias ocorreram em Patos de Minas, pois na época ainda não havia aqui na cidade. Mais tarde ela teria que voltar para Patos fazer trinta sessões de radioterapias.

Maria Jussara conta ainda que o apoio do Hospital do Câncer de Patrocínio foi importante para seu tratamento, sempre a ajudando quando precisava, afirmando também que possuem um ótimo atendimento, se mostrando sempre preocupados com o bem estar dos pacientes.

“O tratamento deles é excelente, tem a parte psicológica, para atender a gente no desespero, o Danilo é muito bom nessa parte, eles dão todo o apoio e o telefone deles para tirarmos qualquer dúvida que apareça, lá nós somos superbem atendidos. Todo esse apoio de palestras, de conversas individuais, e eles garantem esse apoio para a gente e para o acompanhante. Nós não podemos fazer nenhuma espécie de tratamento sem um acompanhante, por causa dos efeitos colaterais”, explica.

Ao ser questionada sobre qual mensagem deixaria para as pessoas que estão passando pelo que ela passou, um pouco pensativa ela responde:

“A minha mensagem é que vai passar, o tratamento é complicado, mas aquilo vai passar. E se seguirem o tratamento direitinho, seguirem as prescrições do médico, toda dieta, temos uma chance grande de cura, depende muito da gente”, conclui.



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