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Colunas
13/04/2018 - 14h41
PENSE NISTO - VIOLÊNCIA – Nossa rotina de cada dia

Por Jucelino Garcia Marquéz*


Algumas pessoas estão perguntado – “Mas de onde vem tanta violência”? Por que tanta maldade?

Outra grande maioria, não está nem ai pela violência.  Não há sentimento de emoção. Não há dor. A coisa ficou banal. É isso ai, a violência é um fato BANAL.

Na verdade as pessoas, a sociedade está se acostumando com as atrocidades das pessoas. Quando saem de suas casas, mormente não sabe se vão voltar. Quando o interfone não toca, vem o susto ao ouvir o toque da sirene seja do Corpo de Bombeiros, ou ambulância, polícia. Não importa o susto é na hora. “O que foi desta vez”?

Parece que existe uma necessidade que se cumpra a qualquer custo o dizeres bíblicos. Por que a violência é uma rotina doméstica.

Lá disse que o “filho se levantará contra o pai, o pai contra os filhos, e os inimigos do homem seriam os de sua própria casa”. Tudo indica que a sociedade está vivendo uma neurose escatológica. Temos de provocar todo tipo de violência, para então cumprir o que está no livro sagrado, então Jesus virá.

Entretanto, ele não disse que para ele vir, as pessoas teriam de se matarem. Disse que no final, o “amor de muitos se esfriaria”. Então existe algo errado. Violência não traz Jesus de volta. Violência é uma desistência de amor ao próximo.

Estou me referindo a este assunto, porque o número de gente que vai empanturrando os presídios brasileiros é enorme. E com um agravante, muitos deles andavam com seus símbolos sagrados no corpo. O fanatismo e a falta de razão não os impediram de matar o próximo.

Já sei, você está repetindo o que eles mesmo disseram. – A culpa é do diabo. – Se não fosse o diabo isso não teria acontecido.

Lamento em dizer, teriam sim. A violência, vou repetir o que já disse anteriormente, é fruto do desamor. E também irracionalidade das pessoas.

Já que citei o texto sagrado, quase que sou obrigado a dar continuidade.  Todos conhecem a história de Caim e Abel. Linda e trágica. Um irmão mata o outro por inveja de espiritualidade. A minha espiritualidade é melhor do que a sua. Um gritou. O outro disse, engana-se Deus está mais do meu lado do que do seu. Não conseguiam entender que Deus estava do lado dos dois. Irracionalidade.

A violência é marcada pela incapacidade que o indivíduo tem, de permitir que o outro ande do seu lado. Ou por desejo de não estar mais por perto. De ir por outra estrada. A violência é o desejo de colocar fim a liberdade do outro.

Nos assustamos, nos chocamos quando por um ato hostil, alguém contrata seu semelhante para tirar a vida de uma mulher, negra. Jovem. Política. Estudada. O mundo questiona o por que?

Na mesma noite uma médica, branca, jovem, bonita, mãe de filhos é brutalmente assassinada, depois de cuidar de gente. Pessoas que não podiam pagar uma consulta. Eu sei, ela foi só mais uma estatística. Ninguém, ou quase ninguém ficou sabendo.

Dias depois, um jovem, classe média, estudante de medicina, espanca sua namorada até a morte. O mundo é banal.

A violência existe por desamor, mas, também, porque ela é muito lucrativa. As pessoas lucram com a desgraça dos outros. Com a dor do próximo. Sem a violência quantas pessoas perderiam o emprego? Médicos, policiais, fabricantes de material hospital, enfermeiros, padre, pastores, etc. Nada da mais lucro do que a violência. É tanto lucro que os governos não estão nem ai pelo que acontece. Tem impostos.

Bem, se um dia a sociedade desejar diminuir, tornar viável o ir e o vir, ela precisa desbanalizar o banal. Deixar que o outro fique, e que o que ele faz, é tão bom ou melhor do que aquilo que eu faço. Mas ele nunca conseguirá fazer o simples que eu faço.

O amor ao próximo deve assumir lugar na razão das pessoas, descapetalizar o pensamento. Assumir a culpa e pedir desculpa. O amor ao próximo ainda existe, o Cristo ainda não veio, ele disse que única coisa que faz ele vir, é que o mundo conheça a essência de sua palavra.

Pense nisto. Deixe que o outro caminhe ao seu lado, mas se caso não quiser, deixe-o ir.   “Amarás o teu próximo como a si mesmo”


*Jucelino Garcia Marquéz é Psicanalista e professor de Filosofia e escritor.



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